quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sem título



"De forma ingrata viemos ,bendita terra que odeio
trazido pela maldade pra trabalhar em teu seio
receio pelo presente ,por que futuro não temos
ordem de mais,progresso de menos
escravidão estampada mas acredito no fim
desilusão maquiada o que deixaram pra mim
chicote corta minha carne salário fere na alma
repouso encontro na morte ,revolução é ter calma
carteira assinada,comida, vale transporte
miséria e fome pra completar o pacote
longe dos holofotes,bem mais perto do mangue
pela evolução banhou a terra de sangue
pra nós sobrou ,senzala só dor e ódio
raiva sem direçao é como corrida sem pódium
dos cafezais ,pantanais , canteiros de obra
da fartura africana pela migalha que sobra

Trazidos de lá,mercadoria barata
fui salvo por Jah e pela mão de Bambaata
nu em pelo sem bata,vim da tribo guerreira
dinheiro move quem mata na nação brasileira
herdeiro de profissão,pedreiro sem opção
porteito por inclusão,piloto de condução
da carabina ao fuzil,transformação que se viu
operador de enchada na construção do brasil
meu povo preso em rédia ,quem rege por nos?
mal de estocolmo,relação brasileiro algoz
a voz agoniza,no peito sufoca
carangueijo no banquete farinha de tapioca
o vento sopra forte na falha da madeira
barraco maderite no alto da ladeira
se sonho com o céu minha péle enbranquece
a cada passo que dou o olho azul enriquece"


THIAGO ULTRA

6 comentários:

Aflore. disse...

Foda. Mto bem escrito.

ka disse...

amigo...muito bom...tamo junto,pra ver se inspiração cola um pouco em mim....

Amandla Awetú disse...

Gostei da letra. Mto boa.

Janaína disse...

Caraca, maninho!!
Arrasou!
É difícil ser preto nesse mundo branco...
Tamos aí pra derrubar essa ordem do embranquecimento.
ReNeg em ação!

Beijo grande o.O

Nannão disse...

Bateu fundão, irmão

Maricotinha disse...

Diálogo!

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